Páginas

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

LUTOS DE MINHA VIDA

  

O sentimento de perda de um ser que amamos é de extrema repercussão no nosso íntimo. Pode ser um animal ou um humano. Qualquer perda desse tipo é fatal. Passamos um tempo considerável com uma memória recorrente a momentos de nossos encontros e convivência. Tudo nos lembra o ente querido.

O meu primeiro sentimento de luto que me lembro foi em relação a um cãozinho meu, de nome "Dick". Eu era criança quando Dick foi eliminado por uns caçadores encomendados por uma mulher muito má. Outros animais já vi partirem de minha vida; por uns sofri; por outros nem tanto.

O meu primeiro sentimento de luto em relação a um humano aconteceu por morte de minha mãe. Eu tinha 18 anos quando ela foi obrigada a desocupar o seu espaço nessa dimensão.

No segundo e no terceiro lutos senti uma dor muito grande quando vi uma filha e um filho meus não conseguirem chegar a um convívio comigo. Partiram antes de verem a luz do sol. Depois deles, sofri com a partida de meu pai. Depois de viver 94 anos, ele foi embora. Mas consegui diluir todos esses sentimentos de luto. Às vezes a memória deles recorre, mas é algo administrável.

Para mim, outro tipo de luto acontece quando saem de minha vida pessoas que necessariamente não morrem, mas vão embora, distanciam-se. A distância pode ser física ou emocional, relacional. Muitos fatores contribuem para esse distanciamento. Pode ser um desentendimento, uma frustração, uma decepção, uma mudança por conta de necessidade profissional, e tantos outros motivos. Talvez mais alguns outros que alguém conheça, mas que não me ocorreram agora.

Quando a separação é natural, suporta-se melhor do que quando acontece por algum distúrbio relacional. Este é horrível, quando acontece contra a sua vontade. E se o outro morre sem uma reconciliação, a situação emocional de quem permanece nesta dimensão é ainda pior: talvez jamais tenha oportunidade de se recompor da mágoa ou da culpa.

Felizmente tenho conseguido administrar bem os meus lutos. Não me lembro mesmo de alguma noite que não tenha dormido por causa de algum.

Àqueles que ainda se debatem emocionalmente por causa de seus lutos, fica a esperança de que, quando forem motivo de luto para alguém, deixarão também de sofrer os lutos que agora lhes afligem.

E que a natureza siga em frente no seu curso.

Willians Moreira

Um comentário:

Maria Gizeuda disse...

Parabéns! não conhecia seu lado escritor.
Seria excelente se as pessoas aprendessem administrar suas perdas e conviver com o luto. Desejo sabedoria quando passar por momentos assim.
Giza.