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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FAVELA MELHORADA

O texto abaixo foi escrito em 24 de janeiro de 2005. 
 

            Um dia desses, conversando com um amigo, disse-lhe que estava morando no Conjunto Guaíra, em Nova Parnamirim. Ele fez um sorriso maroto e me disse que eu estava morando numa favela melhorada. Pode acreditar! O cidadão é meu amigo mesmo. Mas ele se explicou. É todo mundo empoleirado, bem perto uns dos outros. Tudo o que se fala no aptº do vizinho, ouve-se no nosso: desde o palavrão do adulto stressado ao choromingar da criança. Não só se ouve, como se vê de quase tudo, um pouco. Eu mesmo já presenciei algumas cenas inusitadas: Ensaios de violências verbal e física; sessão sonora de sado-masoquismo, até um meio ensaio de strip.

            A única visão que me alegra está no mesmo plano do meu andar, a partir da porta da minha cozinha. A disposição dos aptºs é de tal forma que as áreas de serviços têm comunicação visual no plano horizontal e diagonal. Das janelas dos quartos, muito pode ser visto. Para quem gosta de privacidade é uma beleza! Acredita nisso?

            Mas o problema é a questão do som. É terrível! A coisa é tão séria que quase se ouve mesmo uma turbulência intestinal do vizinho. Sorte que não se está por perto e as paredes são ótimas trincheiras contra os torpedos envenenados do inimigo que mora ao lado.

            Pode acreditar! É sério!

            Às vezes, domingo cedo, entre as 07 h. e as 08 h., umas meninas que moram ao lado, soltam o som. Por incrível que pareça, não é lá nem uma sinfonia clássica para um domingo tranqüilo, é "Calcinha Preta". Pense no pulo que dou da cama! Num desses domingos, precisei falar com elas e pedir clemência. Fui ouvido e atendido. Educaaadaasss!

            Que me diz do som de cinema, vizinho a você, depois do almoço? Aquele som de móveis de uma tonelada sendo arrastados. Outro vizinho meu comprou uma aparelhagem de som que, vou lhe dizer, se ele aumenta mesmo, derruba o prédio. Pior! De vez em quando ele ensaia. Ontem, eu estava tomando banho; de repente, pensei: é um avião voando baixo; vai cair; valha-me Deus! Não! É trovão! Vai chover pesado! Que nada! Você já sabe o que era.

            Tem vizinho que gosta de música brega. Final de semana é tempo de muito Lindomar Castilho.

            Há outros que gostam de Rock, tipo Scorpions. Bom, aí é minha praia. Sem falar que tem quem goste de Calipso (dá para aturar um pouco; mas só um pouco, viu?), Belchior, Zé Ramalho, e outros bons de serem ouvidos.

            O pior de tudo, às vezes, é ter de escutar Mução. Imagine a altura do rádio do vizinho, obrigando todo mundo a ouvir aquilo.

            O que eu menos quero é incomodar a vizinhança. Às vezes, pego o violão; toco e canto umas músicas agradáveis (para mim, pelo menos). Tal foi a minha surpresa, quando o vizinho do térreo (e eu moro no 3º andar) comentou comigo que acordou cedo ouvindo o meu som. Que droga!!!

            Só lamento não ter quem goste de música clássica. Na verdade, tem: eu. Mas não tenho aparelho de som. Ah! Se eu tivesse!

            Tem nada, não! Eu ainda me vingo.

            Aproveitando, você respeita o seu vizinho?
Willians Moreira

Um comentário:

leonardo disse...

kkkkkkkkkkkkkkk Willians foi cômico o jeito que vc escreveu... realmente concordo com vc, não há nada mais insuportável que ter que ouvir um som, uma música que se detesta, aaaafff!!!! é muita falta de respeito! que pena que somos educados e não damos o troco na mesma moeda kkkkkkkk, imagine fazer uma pessoa que adora mução, calcinha preta... ouvir Chico Buarque, Tom Jobim... pense numa revanche!!! rsrs