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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A REALIDADE DO CASAMENTO


Observação: Escrevi este texto em 2001, 25 de junho, às 14:00 horas. Encontrei em um DVD que estava guardado faz muito tempo. Relendo-o, observei que não alteraria coisa alguma no mesmo e resolvi colocá-lo neste Blog. Depois dos depoimentos, vem então o meu comentário. Aguardo seu comentário também. Boa leitura!


 

                Passando uma vista nos textos que recebo via Internet e outros que por lá encontro, há um que faz uma descrição bem caótica da relação afetiva entre os sexos e que representa, sem dúvida nenhuma, a visão de muita gente.

 

Leia abaixo o que o texto diz:

CASAMENTO

 

Cuidado para não cair nessa!!!

 

FLERTE

 

Quando ela é toda sorriso, você cheio de nove-horas e gentilezas, fica naquela conversa mole por mais de 10 minutos, ri de qualquer merda que ela fala, e quando ela anda, você crava os olhos naquele belo traseiro, imaginando... Isto é um flerte. Este relacionamento só tem vantagens. Você a chama para sair, é super-legal, a noite toda é só risadas e bons momentos. Depois do primeiro amasso, isto vira um...

 

CASO

 

Grande estágio! Começa a rolar um sexozinho, mas nada muito adiantado, no máximo um sexo oral, afinal "Eu não sou qualquer uma". Daí já pinta aquele negócio de ligar um pro outro a cada quinze minutos, sair mais constantemente, rola um "Temos um relacionamento...". Ainda é bom, mas já começa a haver uma cobrança. Afinal, "Eu não sou como as outras garotas que você já teve". Se durar mais de um mês, já é um ...

 

NAMORO

 

O que significa um NAMORO? Você acaba de assinar um contrato de exclusividade. Isto significa que você não pode mais comer ninguém além dela, nem mesmo dar uns beijinhos. Você tem que ligar TODO dia para ela, senão... Sair sábado com os amigos? Esqueça! "Ah, você quer ir para a PUTARIA com aqueles seus amigos galinhas? Você pensa que eu sou idiota? "Tem que ir ao aniversário daquele panaca do primo dela, não pode mais ter amigas: "Aquela galinha tá dando em cima de você, pensa que eu não vejo?", "Onde você foi ontem, que chegou tarde? Liguei para a sua casa e você não estava!". Nesta fase você já está apaixonado pra caralho e aceita tudo que ela fala e ainda acha certo! Você começa a viver em função dela. Só faz o que quer se ela tiver outra coisa para fazer. Aí aquela deusa maravilhosa, mulher da sua vida, linda e desejada, a mais perfeita descrição de um ser humano, tira da bolsa um cabresto, põe em você, pega o chicote, coloca as esporas e monta. Daí você está ferrado. Se deixar na primeira vez, arrebentou-se! Nunca mais consegue voltar ao que era antes. Vai se sentir mal, desanimado, triste, mas vai continuar porque você gosta dela. É só uma questão de tempo e começam os papos "Quando nós vamos comprar as alianças?" Vocês vão sair para ver móveis, assim como quem não quer nada... E já é um ...

 

NOIVADO

 

Só falta oficializar, já dançou. Se comprometeu com Deus e o mundo, se não casar, fica com fama de hipócrita, sem-vergonha, só queria se aproveitar da coitadinha. Você é um babaca. Devia ter parado lá em cima, enquanto estava comendo sem problemas. Se você chegou até aqui e nunca achou nada de errado...

 

CASAMENTO

 

E aconteceu. Muito bom, vida a dois, estável, só se preocupando em ganhar dinheiro para dar uma boa vida para ela e as crianças. Muito bem, mas e quanto ao SEXO???... É, o sexo cai barbaramente. Aquele tal negocio de "Hoje não amor, estou com dor de cabeça". Nem parece aquela tarada com quem você namorava, lembra? Transavam no carro, na casa dos pais dela, no cinema, praia, de pé, em qualquer lugar. Era tesão que não acabava mais. Qual foi a última vez em que vocês foram a um Motel? Nem lembra, né ? Pois é, devia ter parado antes! Agora dançou. O negócio é ir levando ..."

 

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Qual a sua impressão depois desta leitura?

Agora leia os dois depoimentos que selecionei sobre casamento e continue a sua reflexão.

COMO FAZER UM CASAMENTO FELIZ?

O ator Tony Ramos e o apresentador Eliakim Araújo contam suas experiências com casamentos bem-sucedidos:

Tony Ramos é casado com Lidiane Barbosa há 27 anos. Atualmente, protagoniza a peça "Cenas de um Casamento", em cartaz até dezembro na Sala São Luiz, em São Paulo (Na época em que recolhi estes textos).

Tony Ramos: "Muitos chamam o casamento de instituição. Eu prefiro chamar de amor que pinta espontaneamente. Há casamentos que dão certo e outros que não dão. Para mim o casamento não foi instituído e, sim, aconteceu para que eu o vivenciasse. Vale a pena."

Eliakim Araújo, marido de Leila Cordeiro, com quem divide a apresentação do Jornal do SBT (Na época...):

"Costumo dizer que não há nenhuma fórmula mágica para se manter um casamento duradouro e feliz. Acima de tudo, é preciso encontrar sua alma gêmea, aquela pessoa que lhe complete e se torne sua cúmplice para o resto da vida. Se você encontra a pessoa certa, tudo fica mais fácil. No nosso caso, fizemos uma opção madura. Deixamos para trás casamentos esvaziados, para assumir uma nova postura de vida.

Se pudéssemos resumir em três palavras, um casamento para dar certo tem de se basear na amizade, lealdade e respeito.

O "ficar junto" num casamento feliz tem de ser natural. Nada de cobranças ou impedimentos. A paixão precisa estar sempre presente e fazer dos dois eternos namorados, sentindo as emoções de cada momento como se fossem as primeiras".

 

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Muito bem! O que você pensa disso tudo?

 

O escritor Irvin D. Yalom, psicoterapeuta e professor de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, no seu livro-romance: QUANDO NIETZSCHE CHOROU, logo no primeiro capítulo, finalzinho, põe nos lábios da personagem Lou Salomé as seguintes palavras: "... para mim a palavra "dever" é pesada e opressiva. Reduzi meus deveres a apenas um: perpetuar minha liberdade. O casamento e seu séquito de possessão e ciúme escravizam o espírito. Eles jamais me dominarão."

O historiador Will Durant, no seu livro: A HISTÓRIA DA FILOSOFIA, quando se refere ao casamento de um dos discípulos de Platão (Cap. I, último §), textualmente ele diz: "Um de seus discípulos, enfrentando esse grande abismo chamado casamento, convidou o Mestre para a festa de suas bodas."

O escritor Cecil Osborne, no seu livro: A ARTE DE COMPREENDER O SEU CÔNJUGE, cita uma máxima sugestiva para o momento: "Casamento é como uma fortaleza sitiada: os que estão fora querem entrar; os que estão dentro querem sair".

No mundo atual, como em outras épocas de mudanças consideráveis para a humanidade, temos visto que esta instituição humana tem passado por um revés considerável em relação ao ideal prescrito e ratificado pela religião. A instituição do casamento tem passado por uma crise que, segundo estatísticas e pareceres dos gamólogos, vai redundar numa transformação fenomenal. Os casais que são considerados exemplos do padrão de casamento bem sucedido são exemplares em extinção. Um novo padrão de casamento está sendo formado e, com mais alguns decênios, teremos novas feições deste tipo de relação humana. Aquela conversa de "casamento fracassado" vai ficar apenas na história. O que vai existir, se já não é compreensão de muitos, é o entendimento de que o relacionamento chamado casamento, para muitos pura legalização do ato sexual, é uma realidade puramente sociocultural, sem relação com dimensões místico-religiosas e que pode ser desfeita tão comumente quanto qualquer outro relacionamento humano. O fato é que numa sociedade em processo acelerado de secularização, o casamento está, cada vez mais, libertando-se do controle religioso. Controle este que impõe uma marca psicológica de profunda dor emocional sobre aqueles que entendem e reconhecem a necessidade da separação conjugal. Com as transformações pelas quais o mundo tem passado, os esquemas fixos e precisos que regulavam o casamento perderam a sua rigidez. A criação de um novo direito familiar, o movimento feminista, a ascensão da mulher a postos antes ocupados somente pelo homem e outros fatores externos ao casamento contribuíram para uma nova disposição, de certo modo, arredia quanto à visão ortodoxa de sociedade conjugal. Além desta realidade externa, existem fatores desagregantes internos do casal (a perda de intensidade e calor emotivos, a insatisfação sexual, o esmorecimento do prazer de estar juntos, a perda da capacidade de comunicação, etc) que, vinculados aos estímulos externos, motivam a disposição para o "se não der certo, acaba...".

O que fazer diante de tão verossímil realidade?

Acredito que, a princípio, faz-se necessário um estudo mais profundo sobre as medidas a serem tomadas. Isso assim, em virtude de que não é salutar querer a todo custo salvar um modelo de ação humano se este não é mais eficaz para a condição atual da humanidade. Até porque as forças que movem o Homem não advêm do casamento em si, mas este é também resultado das mudanças mundanas mais abrangentes e ingerentes em instituições condicionadas como é o caso do casamento.

Se você que está lendo estas linhas há muito está casado, viva! Se já não mais está, a vida continua... E continua com novas perspectivas que antes não lhe eram acessíveis. Só não vale nutrir em si uma disposição pessimista como se as possibilidades de se alcançar realização a dois se reduzissem a uma única experiência, supostamente "fracassada" na compreensão retrograda e pueril de alguns seguimentos da sociedade, condicionados que estão por uma visão medievalesca e burguesa do casamento.

Seja bem feliz, a despeito de qualquer que seja a sua condição face ao casamento.

Willians Moreira

3 comentários:

Rodrigo Cruz disse...

O ideal é pegar o melhor do FLERTE, do CASO, do NAMORO e levar para o CASAMENTO. Estamos tentando isso e ta dando certo. Sempre que dá, um cineminha, um teatro, uma viagem de avião (a trabalho sozinho é uma coisa, com seu amor é outra), uma ida ao motel.

Tenho só um ano e meio de casado mas tentamos sempre fazer coisas diferentes para viver uma eterna lua-de-mel.

Parabéns pelo texto!

Avelar Jr. disse...

Não sou casado, mas creio que um casamento só se sustenta com a soma de tudo que pode haver de melhor na amizade, intimidade e namoro.

Levando-se em conta que o matrimônio é algo em permanente construção, e que esta missão de colaborar deve ser compartilhada igualmente por ambos os conjuges, como os pesos que juntos equilibram uma balança e lhe conferem estabilidade, é algo que vale a pena, e é importante, aliás, essencial, por ser um dos fatores constituintes da própria sociedade.

Matrimônio é uma relação que leva um pouco ou tudo daqueles que a constituem, e, por exigir renúncia de cada um para a perfeita alegria dos dois, é algo que muitos tentam desacreditar por só quererem a felicidade e prazer para si mesmos sem sacrifício algum.

Enfim, o casamento não está falido como muitos apregoam, a humanidade é que está em declínio devido à inversão de valores, e isto apenas se reflete em suas instituições.

Bela reflexão!

Benjamim disse...

Eita professor... O senhor sabe o que penso a respeito do casamento, e sou feliz a despeito da minha condição.
Ótimo texto Willians.