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sábado, 15 de agosto de 2009

SALVE O FINADO PAUL TILLICH

Antes de ler do texto a baixo faz-se necessário contextualizar-se com o PPS contido no endereço:  https://drive.google.com/file/d/0B3Zzvnk3Ec1KaXhTcWQtSFdJMzg/edit?usp=sharing
Se você analisar o PPS ententerá melhor o que é comentado neste texto.

Há um grande problema nas "mensagem em cápsulas", via Internet. A grande maioria delas está totalmente descontextualizada. E ainda procura ridicularizar o que não é conhecido por parte de quem as cria. Pior ainda é que a mensagem desses PPSs revela uma piedade ridícula e caricaturizada por parte do religioso envolvido.

Neste caso em particular, mostra como é um problema considerável ter religiosos sem base teológica a presenciar palestra de alto nível acadêmico. "Têm ouvidos, mas não ouvem". É como se um estudante do Ensino Fundamental presenciasse uma conferência sobre física quântica, proferida por um cientista. Imagina a interpretação do tal estudante no final da palestra!


O mais interessante é que o questionamento do "senhor negro", como é chamado no PPS, só ratifica o que Tillich disse, se é que disse. Toda a experiência do negro é de uma perspectiva puramente existencial. É claro que Tillich jamais conheceria o Jesus do "senhor negro". Como é claro que ninguém jamais, por mais que queira, conhecerá o Jesus de quem quer que seja. Cada humano experiencia um Jesus diferente do Jesus de outros humanos. O religioso também nunca teve nem terá provas históricas da ressurreição de Jesus. As supostas provas são puramente literárias, contidas num livro que não foi escrito para provar a ressurreição de Jesus, mas para apenas relatá-la. Tudo o que o religioso tem é apenas a fé no que leu e ouviu de outros. Isso me faz lembrar a letra da música "Alagados" da banda Paralamas do Sucesso.

Se Tillich disse mesmo o que se diz que ele disse, ele o disse da perspectiva existencialista. E o "senhor negro" expressou apenas o lado existencial de sua relação com o "seu" Jesus. E é nesse sentido que a Teologia Existencialista diz que Jesus ressuscitou: sentido puramente existencial. E continua ressuscitando pelos séculos a fora, na vida de todos aqueles que se encontram com ele. Na Teologia Existencialista não há uma preocupação com a ressurreição histórica. Há, sim, um ensino voltado para a realidade da ressurreição no presente do discípulo. Tillich acredita na ressurreição, sim. Mas nesse sentido existencialista. Por isso que, se o criador do PPS queria desmerecer Tillich, o tiro saiu pela culatra. O que houve mesmo com a intervenção do "senhor negro" foi a ratificação da Teologia Existencialista.

Muitos de uma tradição estão acostumados a só pensar de uma forma, achando que não há outras interpretações da ressurreição de Jesus.
Tudo é uma questão de pressupostos. A Teologia Existencialista fala sobre a ressurreição de uma perspectiva diferente da Teologia Tradicional. Assim como a visão do sol no nascente não é a mesma visão no poente; embora o sol seja o mesmo em ambos os fenômenos. Os leigos, por sua vez, que não conhecem nem mesmo a teologia conservadora, não sabem compreender os pressupostos da Teologia Existencialista. Disso partem tantos "maleditos" contra uma perspectiva teológica também pertinente.
Paciência! Salve o finado Paul Tillich.
Revisado e atualizado em 01/09/2014.
Willians Moreia Damasceno

3 comentários:

Danilo Sergio Pallar Lemos disse...

Willians obrigado pelo comentário em meu blog, referenciando o texto, e pelo mail.
Tillich disse: " A ressureição,bem como os simbolos históricos, lendários e mitológicos que a corroborram,mostram o novo ser em Jesus como o Cristo surgindo vitorioso da alienação existencial a que ele se sujeitou." Esta declaração tem um sentido filosófico, porem não nega a ressurreição, o que falta é entender a explanação deste teologo.

Willians Moreira disse...

Ok, Danilo.
O fato de provas a respeito da ressurreição de Jesus serem questionáveis, não anula o fato da influência do ensino cristão e sua pertinência na existencialidade dos humanos. Você disse bem: "falta é entender a explanação" de Tillich.
Saúde para você.

Anônimo disse...

Se Jesus não ressuscitou na história, não existencialmente, então, ele mentiu. Ele afirmou enfaticamente sua ressurreição.