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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA INTRAESPÉCIE

VIOLÊNCIA INTRAESPÉCIE

 

            Por mais que se saiba que a violência é uma das características da natureza, e isso em todas as espécies de animais, alguns indivíduos não se acostumam com a sua incidência.

            Hoje pela manhã, perguntei-me sobre em que estado se encontra um ser ao agredir a outro, de sua espécie ou não, ao ponto de executá-lo sumariamente. Pessoalmente, nunca me encontrei em situação que precisasse agredir a alguém até a morte, embora tenha eu, no passado, cometido algumas ações violentas. A primeira circunstância de que me lembro, aconteceu em São Paulo-SP. Contou-me minha mãe que, aos meus quatro anos de idade, envolvi-me numa briga na escola. Quinze dias antes, um garoto me derrubou de um brinquedo, no parque, e, como resultado, meu braço esquerdo foi quebrado. Quando voltei à escola, depois da cura do braço, procurei o menino e "acertei as contas" com ele. Minha mãe foi chamada à escola. Não sei o desfecho desse acontecimento. Lembro-me de outra vez, quando adolescente em Caruaru – PE, em que me aproveitei de uma situação para ir à desforra com um conhecido de rua que vivia a me jurar de uma surra. Várias vezes ele prometeu me bater. E ele teria condições de o fazer mesmo. Todas às vezes, eu conseguia me esquivar e sair ileso. Mas eu descobri que ele tinha muito medo de seu pai e este não o queria ver a brigar na rua. E se o visse assim, puni-lo-ia. Pois bem! Numa tarde, quando brincávamos na rua, eu observei que o pai do menino aproximava-se. Prontamente tive a idéia de me aproveitar do momento e parti para a agressão. Enquanto eu o esmurrava, avisava-lhe de que seu pai estava perto. Ele ficou pretificado, enquanto eu o esmurrava. Quando o pai dele se aproximou mais, eu corri para casa. Não me lembro de mais algum momento em que estivemos frente a frente. O fato é que "lavei" meu ego.

            Pelo que me consta, em ambos os acontecimentos a violência que pratiquei aconteceu em função de motivações dos meus opositores. Mas me pergunto o que os motivou a agirem comigo como agiram. Por que queriam fazer-me mal? Teria sido gratuitamente ou em sua subjetividade sentiam-se, por algum motivo de minha parte, estimulados a me agredir? Que fazia eu, passivamente, ou não fazia?

            Hoje, pela manhã, quando acordei fui à varanda, como sempre faço, para observar as aves que são minhas vizinhas. Pude presenciar uma violência que me enojou. Um galo agredia a outro seu igual, de forma horrenda. O agredido já não reagia. Moribundo, foi arriando no chão, enquanto o rival o picava por todos os lados da cabeça, e aplicando-lhe os esporões. Depois de alguns segundos, não suportei mais a cena e me retirei. Não podia fazer nada mesmo. A sensação de impotência foi terrível. Mas me lembrei de que a natureza, não só os humanos, tem no seu escopo a prática da violência. Quer queiramos ou não.
Willians Moreira

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