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sábado, 28 de maio de 2011

AO DESPERTAR

 
Na penumbra do quarto pela manhã,
Silhuetas fazem meus olhos delirar;
Linhas onduladas deliciam meus olhos;
A cor canela faz meu coração acelerar.
 
Uma linha acentuada anuncia o amanhã;
Um vai e vem contínuo prediz o vazio do quarto;
A respiração se acalma;
O coração desatina;
O desejo fenece no abrir das cortinas;
A luz ordena: Levanta, vai trabalhar!
27/05/2011
Willians Moreira Damasceno

sexta-feira, 12 de março de 2010

NO (E EM) PRINCÍPIO ERA BATISTA

Fiz questão de publicar este texto de meu amigo Edvar Gimenes.
Este texto é de uma perpscácia fantástica: Expressa perfeitamente o espírito independente ante as tendências partidaristas que atacam as personalidades inconclusas, porém ávidas de uma âncora que nunca será possível alcançar.
 
 
NO  (E EM) PRINCÍPIO ERA BATISTA
 
Depois surgiu um grupo que era, além de batista, bíblico.
Não fui com eles, então disseram que eu era herege.

Surgiram então os regulares, ortodoxos.
Não fui com eles e disseram que eu era irregular, hétero...

 
Surgiram os conservadores.
Não fui com eles, então me carimbaram como progressista.

Surgiram então os do 7º dia.
Não fui com eles, pois não queria ser sabatista, só batista.

 
Surgiram então os renovados.
Não fui com eles e disseram que eu era tradicional.

Surgiram então os reformados.
Não fui com eles e disseram que eu era envelhecido, rachado, engoteirado.

 
Surgiram então os fundamentalistas.
Não fui com eles e disseram que eu era liberal.

Surgiram então os neo e os pós-pentecostais.
Não fui com eles então disseram que eu era um "Brastemp", racionalista.

 
Surgiram os "com propósito".
Não fui com eles, então disseram que eu estava vagando, sem direção.

Surgiram também os da "Rede".
Não cai nela e disseram que estava me afogando.

 
Surgiram os do G12.
Não fui com eles, por isso disseram que eu era cego, sem visão.
 
Mantive-me no que outrora classificavam como tradicional,
Sabendo que a história não havia chegado ao final,
 
Eis que surgem os históricos.
Será que receberei o adjetivo "a-histórico" (ou "Anistórico"?)
ou soará melhor "pré-histórico"?

 
Bem, outros tipos de batistas existem por aí
E muitos novos pra sempre surgirão.
Não vou com eles nem contra eles,
Pois isto também é ser batista: poder ir ou ficar livremente

 
Sou batista porque ser batista é não ter,
Mas poder ser a própria crise de identidade e se aceitar e se assumir assim.
É conviver como que "quanticamente", num harmonioso estado de tensão,
Inclusive na contramão dos apocalipsistas de plantão.
Se alguém se ofender, peço, antecipadamente, perdão,
Pois não foi esta a minha intenção!!!

Edvar
http://blogdoedvar.blogspot.com/
www.ibgraca-ba.com.br

sábado, 2 de janeiro de 2010

EVIDÊNCIA

 

Caminhos se cruzam; unem-se; distanciam-se.

Elos se fundem; partem-se; desfazem-se.

Vidas se encontram; desencontram-se; evadem-se.

Amores se amam; consomem-se; destroem-se.

 

Nos caminhos que se cruzam...

Nos elos que se fundem...

Nas vidas que se encontram...

Nos amores que se amam...
 
A evidência:

 

"Na natureza nada se cria;

Nada se perde;

Tudo se transforma".

"Há tempo para tudo debaixo do céu".

Willians Moreira

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ALMANAVIO

 

Minha alma,

Navio no mar;

Sempre no mar,

Chega a portos.

 

Reconhece o desejo de âncoras

Não quer desatracar.

Mas para que os navios?

Willians Moreira

INCONSTANTE

 

Navalhas de tua boca mastiguei;

Cascatas de sangue pelo meu peito.

A cor marron com que pintaste o tempo

Nublou o meu caminho.

 

Estarás em meu corpo, sim!

Quero a tua marca, como a de outras

Que por mim passaram.

Amarei sempre a todas;

A ti, como quem sofre

O inconstante.
Willians Moreira

domingo, 5 de julho de 2009

LIBERTAÇÃO


Traços líquidos
Riscam meu rosto.
Miasmas pestíferos
Infectavam meu ser.
Cizânia indesejável
Erradicada a tempo.
Willians Moreira

PERCEPÇÃO

 
Sinto que penso.
Penso que sinto.

Penso que existo.

Sinto que existo.
Sinto que sinto. Penso que penso.
Penso que penso no sentir que me sinto pensando.
Sinto que me sinto no pensar que penso sentindo.

Penso ou sou pensado pensando?
Sinto ou sou sentido sentindo?
Existo ou sou existido existindo?

Que é pensar?
Que é sentir?
Que é existir?
SENTIR – PENSAR – EXISTIR

SER?

Tudo é mesmo que não seja.
Talvez seja enquanto é.
É enquanto sinto, penso e existo?
É enquanto está sendo, seja lá o que for.
Sendo não é momento do SER mesmo não sendo depois?

Sinto que existo pensando.
Penso que me sinto existindo.
Existo pensando e sentindo.
Existo sentindo que assim penso ser.

E SE ASSIM NÃO FOR?
Pelo menos estou sentindo que estou pensando que assim está sendo.

Willians Moreira

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

TRIÂNGULO

Quero te encontrar
Mas quando chego não estás
Quando te vejo, Já vais distante...

Na verdade, tu vives em torno da outra
E só em torno de mim porque em torno dela.
Na verdade, tu és da outra
Mesmo que a outra seja também minha.

Às vezes, de dia tu brilhas por minha causa
Às vezes à noite és por mim iluminada.

Que pensas tu de mim?

O quadrado da hipotenusa
É igual à soma dos quadrados dos catetos

Ah! Meu amado!
Não percebes, mas eu te busco.
Não te encontro,
Pois a tua outra me aprisiona.

Quando me vês
E já vou distante
É porque ela me reclama.

Saibas tu, oh meu amado!
Que vibro de alegria.
Quando por alguns momentos
Tua luz sobre mim brilha.

Que pensa ela de nós dois?

O quadrado da hipotenusa
É igual à soma dos quadrados dos catetos

Pensais que não conheço
Toda essa trama eterna.
Vivo a pagar um preço
Mas não entro na taberna.

Anos vêm; anos vão
Sem que nos aproximemos
Nosso destino é este
Mesmo que o rejeitemos.

Nós nos amamos tanto
Mesmo vivendo na solidão
Distância ingrata nos separa
E nos maltrata o coração.
SONHO

Nele o hoje vira ontem
E o ontem vira amanhã
Nele Maria vai com as outras,
Mesmo que tenha a mente sã.

Nele a mulher vira homem;
O homem vira mulher.
Nele amigo vira cachorro
E cachorro vira jacaré.

É nele que eu me vingo
Do jeito que eu sempre quis.
É nele que eu me satisfaço;
Chego a ser mais do que feliz.

É nele que eu me frustro;
Mas às vezes me supero.
Nele eu perco tudo;
Também recebo o que tanto espero

Nele eu pego as estrelas;
Pego até o que defeco.
Nele o tagarela fica mudo
E até o morto tem eco.

Nele quem já foi se apresenta;
Quem ainda não veio aparece.
Nele há tanta coisa estranha
Que o mais sábio desconhece.

Nele a cabeça vai para os pés;
Os pés vão para a cabeça.
Da terra chego às estrelas
Mesmo que eu não cresça.
Das estrelas volto à terra
Sem que do caminho esqueça.
Nele todo mundo se conhece,
Mesmo que ninguém se conheça.

Nele eu me curo
Nele eu me corto.
Na verdade, ele é um “para”
De tudo o que é “orto”.

Nele eu viro artista
Usando palavra culta.
Nele me concilio com a linguística
Mesmo quebrando a norma “curta”.

Nele eu me vejo trágico
Nele eu me vejo patético.
É nele que eu vejo
O que há de mais poético.

Id, ego e superego,
Tudo nele se mistura.
É uma panacéia incrível
Que pode servir para cura.

De tudo isso que eu falei
Não me exija nada ordenado.
Afinal, nele eu pensei
Estando meio acordado.
Willians Moreira
RELATIVIDADE

Tudo é relação.
Tudo é seleção.
Seleção em relação com outra seleção.
E assim sucessivamente...
Nada está isolado.
Tudo está combinado.
Combinação em relação com outra combinação.
E assim sucessivamente...
Tudo é interpretado,
Depois de selecionado.
A seleção é fruto de interpretação
E assim deverasmente...
Tudo é relativo.
Tomara que alguém discorde.
Discordar é imperativo.
Faz o relativo se afirmar.
Na seleção relacionada
Relativamente interpretada
Surge uma relação selecionada
E uma verdade pode se firmar

REFRAÇÃO

 
Nas esquinas dos meus olhos
Lembranças incômodas
De encontros desconfortáveis.
Ofuscam-me opacas luzes.
Os espelhos evitam meus olhos.
Quero encará-los, mas fogem.
Detrás dos espelhos
Só a lembrança do amor.
Eis uma janela para o horizonte.
Linha reta para os meus olhos.
Depois do cansaço,
Um espaço para refração.
Entranhas se revolvem
Desejo de desaguar nos seus braços
A minha ânsia de amar.
Willians Moreira

MARTELO

Sê-lo
Não implica tê-lo
Tê-lo
Não implica sê-lo
O Selo
De tê-lo... sê-lo
O Selo
De sê-lo... tê-lo

Sê-lo faz-nos forte
Tê-lo dá-nos suporte
Forte com Suporte
Melhor sorte!
Embora nada importe
Quando chega a morte...

...Desvelo...
Sê -lo...
Tê-lo...
Desfaz-se o selo

ESVAZIANDO A CACHOLA

Dinheiro, sexo, mulher.
Que homem não quer.
Vera Fisher, Paula Arósio...

Língua para a sogra.
Hipocrisia das CPIs.
A droga pior brasileiro injeta:
Político, Político, Político.
Cadê o meu dinheiro? Essa droga consome.

Aquilo que estou pensando...
Mas a censura não permite eu dizer.

Cadê Freud?
Continuo projetado.
Meu complexo vive:
Édipo vivo fala mais alto.
Cadê mamãe?
Ela não vem.
Capim novo, capim novo.
Meus dentes ficam velhos.

Quero voar, quero voar.
Só rastejo, só rastejo.
Olha o avião!
Vou aproveitar,
Só assim eu subo.
Cadê o dinheiro?
És pó e ao pó tornarás.

Realidade, realidade.
Ascensão; ilusão.
Evolução, isso sim, é verdade!
A lei do mais forte.
Adaptação!
Você duvida?

Religião no Brasil é droga.
Instrumento humano de domínio.
Deus está rindo, gargalhando:
Primatas ridículos!
A posse é que reina absoluta.
Tudo por mim, para mim...
O resto é conversa.
Não importa a capa.

Tudo é domínio.
De um modo ou de outro:
Competição;
A lei do mais forte.
Amor ou seja lá o que for,
Tudo é estratégia: eu quero vencer.

Deus está rindo, gargalhando.
Não há como fugir deste jogo.
Desistir é favorecer ao outro.

Desista, desista.
Vou chorar por você.
Eu quero é o seu espaço.
Comecei em mim,
Passei por você,
Termino em nós.

CONTINUIDADE


Nesta madrugada
Caiu sobre mim uma chuva de luz
Enquanto chovia
Mastiguei torrentes de imagens
Que me jogaram com ímpeto
Para o poente

Bóreas passava assoviando
Melodia que me dava arrepios
Hades me chamou
Mas eu resisti
Pensei em Sísifo
E resolvi continuar na chuva

BEIJO

Beijo...
Evoca...
Invoca...
Sufoca...
Provoca...

Beijo...
Comprime...
Imprime...
Suprime...

Beijo...
Atrai...
Contrai...
Trai...

Beijo...
Planta...
Implanta...
Suplanta...

Beijo...